Estudo Biblico – Comentário 2 Timoteo 1:8-12

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Não te envergonhes de dar testemunho do Senhor – 2 tm 1:8-12

“Portanto, não se envergonhe de testemunhar do Senhor, nem de mim, que sou prisioneiro dele, mas suporte comigo os sofrimentos pelo evangelho, segundo o poder de Deus,
que nos salvou e nos chamou com uma santa vocação, não em virtude das nossas obras, mas por causa da sua própria determinação e graça. Esta graça nos foi dada em Cristo Jesus desde os tempos eternos,
sendo agora revelada pela manifestação de nosso Salvador, Cristo Jesus. Ele tornou inoperante a morte e trouxe à luz a vida e a imortalidade por meio do evangelho.
Deste evangelho fui constituído pregador, apóstolo e mestre.
Por essa causa também sofro, mas não me envergonho, porque sei em quem tenho crido e estou bem certo de que ele é poderoso para guardar o meu depósito até aquele dia.”
2 Timóteo 1:8-12

No que resta deste capítulo vamos nos encontrar com várias alusões à questão de sentir vergonha. A primeira referência a vemos aqui, e é outra das exortações que Paulo fez a Timóteo: “não te envergonhes de dar testemunho de nosso Senhor”.

Também introduz outro tema que se repete ao longo de toda a carta e que tem que ver com a participação do servo de Deus nas aflições do evangelho. Agora bem, como é de costume em Paulo, junto com cada exortação, vai apresentar também os recursos que Deus coloca à nossa disposição para fins de impressão cumprir. Nesta ocasião irá mostrar-lhe as gloriosas verdades do evangelho de salvação, e o triunfo do Senhor Jesus cristo sobre a morte.

Seguiremos o seguinte esquema para o nosso estudo:

  • Exortação a não se envergonhar de dar testemunho do Senhor.
  • Exortação para suportar os sofrimentos que acompanham o ministério.
  • Um estímulo para suportar o sofrimento: as gloriosas verdades do evangelho de salvação.
  • A segurança de Paulo contra os sofrimentos pelo evangelho.

Exortação a não se envergonhar de dar testemunho do Senhor

Em vista do dom e o chamado que Timóteo tinha recebido de Deus, o apóstolo faz-lhe outra exortação: “portanto, não te envergonhes de dar testemunho de nosso Senhor, nem de mim, que sou prisioneiro seu”. Novamente, acreditamos que Paulo não estava reprovando a Timóteo, porque se estivesse avergonzando de dar testemunho. Ele havia provado em muitas ocasiões ser um servo fiel, que havia trabalhado com frequência no meio da perseguição, sem chegar a retroceder nunca.

E não temos nenhuma razão para pensar que não continuasse sendo assim. Mas isso não significa que sentisse dentro dele, a tentação de ceder à vergonha e à covardia no desenvolvimento de seu ministério. O Senhor falou dessa possibilidade (Mr 8:38), e todos nos entendemos bem, em que consiste essa tentação. No caso de Timóteo, o ambiente em que eu tinha que trabalhar, que se estava tornando-se extremamente hostil. Lembre-se que o cristianismo se tornou uma religião ilegal e pregá-lo seria um crime severamente punido.

Além disso, o fato de identificar-se com um Messias crucificado por ser um inimigo do Estado, e com um seguidor seu, preso por razões políticas, tinham um estigma social, além de um grave risco para a sua própria segurança pessoal. Aqueles que vivem em países onde há liberdade religiosa, nem sempre entendemos nem valorizamos o enorme custo que nossos irmãos têm que pagar para dar testemunho de sua fé em outros países em que é proibido. Nossas orações sempre devem ser elevadas ao seu favor, perante o trono da graça.

E em seguida acrescenta que também não devia se envergonhar de Paulo, prisioneiro do Senhor. O apóstolo estava tão intimamente ligado ao evangelho, que, em certo sentido, se envergonhar dele implicaria, necessariamente, envergonhar-se também do evangelho que ele pregava.

Ao fim e ao cabo, a causa por que Paulo estava prisioneiro era por dar testemunho do Senhor e para a defesa do evangelho, e embora estejamos seguros de que Timóteo não se envergonhava do apóstolo, e que assim que pudesse iria vê-lo em Roma, não seria de estranhar que, com frequência se encontra com pessoas que ridiculizarían Paulo e o evangelho que ele pregava, dizendo que a razão pela que tinha sido posto na prisão porque era o que eu fazia não contava com a aprovação divina. Assim, se envergonhar de Paulo implicaria também dar-lhes a razão, uma vez que o evangelho que ele pregava não era correto.

Como cristãos, a maioria de nós devemos confessar ter nos envergonhado do Senhor em um momento ou outro. Talvez o fizemos por ter medo do que os outros iam pensar de nós, ou talvez porque nos incomoda, que nos fosse questionado por que a nossa forma de vida não é coerente com a fé que professamos.

Em qualquer caso, muitas vezes somos reticentes para expressar o que o Senhor tem feito em nossas vidas. E aqui vemos que Paulo nos exorta também a nós a dar um testemunho corajoso e sem complexos de Cristo, sem importar o custo ou as conseqüências. Falando com clareza, sem evasivas nem vacilações, explicando a graça de Deus que nos é oferecido pelo evangelho, e também as graves conseqüências de rejeitá-lo.

Por fim, observemos também que, apesar de tudo, Paulo não se considerava prisioneiro de Roma ou do César, mas que se definia a si mesmo como “o prisioneiro do Senhor”. Ele sabia que a razão por que enfrentava a prisão tinha que ver com a sua fidelidade ao Senhor, e por essa razão, também se sentia em suas mãos e sob o seu cuidado soberano.

Exortação para suportar os sofrimentos que acompanham o ministério

A seguinte exortação de Paulo tem como finalidade convidar a Timóteo a participar com ele no evangelho e nas dificuldades que ele implica: “Mas, antes, participa das aflições do evangelho segundo o poder de Deus”. De alguma forma, sempre que nos envolvemos em serviço fiel ao Senhor, não te faltará o sofrimento e as dificuldades.

Talvez Timóteo encontrou pessoas que quiseram criar dúvidas sobre a conveniência de sua amizade com Paulo, e que mesmo o puseram medo sobre o que lhe aconteceria se seguisse seu exemplo. Mas essas pessoas não entendiam um princípio básico do serviço cristão: juntamente com o evangelho, estão sempre a marca da besta e as dificuldades. Paulo expressou isso da seguinte forma:

(2 tm 3:12) “E também todos os que piamente querem viver em Cristo Jesus padecerão perseguições.”

Portanto, não devemos extrañarnos quando encontramos aflição por nossa identificação com o evangelho. De fato, o que nos deve admirar é que os não salvos nos louvem por isso. Isso seria um detalhe preocupante que deveria nos fazer refletir sobre nossa fidelidade ao Senhor.

Isso estranha a muitos em nossos dias, que pensam que a vida cristã deve ser fácil, agradável e suave como a brisa. Acreditam em um Deus que tem que remover cada obstáculo que se apresenta em suas vidas, e que nunca permitirá que nada de grave lhes aconteça. Mas esta visão do evangelho não tem nada que ver com o que tinha sido a vida de Paulo, até aquele momento, nem com as exortações que agora lhe fazia a Timóteo.

Em todo caso, não há honra maior do que sofrer pelo nome de Cristo.

(Mt 5:11-12) “bem-Aventurados sois quando, por minha causa, vos injuriarem, e vos perseguirem, e disserem todo o mal contra vós, mentindo. Alegrai-vos e exultai, porque é grande o vosso galardão nos céus; porque assim perseguiram os profetas que foram antes de vós.”

(At 5:41) “E eles saíram da presença do sinédrio, alegres de terem sido contados dignos de sofrer afrontas por causa do Nome.”

Em qualquer caso, para suportar as diversas adversidades que podemos enfrentar por esta causa, só é possível fazê-lo”, segundo o poder de Deus”. De outra forma nos derrumbaríamos com toda a facilidade. Este poder, do que já lhe havia falado anteriormente (2 tm 1:7), é o mesmo que Deus mostrou para nos salvar eternamente, como é que vai explicar em seguida.

Um estímulo para suportar o sofrimento: as gloriosas verdades do evangelho de salvação

Depois de sua exortação ao sofrimento, Paulo apresenta diante de Timóteo, um forte estímulo que deve dar valor e ânimo para enfrentar as dificuldades causadas por sua fidelidade ao evangelho.

A base de toda a sua argumentação está no que é, em si mesmo, o glorioso evangelho de Jesus cristo. Em resumo, podemos dizer que por muitas aflições que nós pudéssemos chegar a passar por sua causa, as que nos livrou são infinitamente maiores.

Por outro lado, por muito que pudéssemos sofrer no presente, tudo se reduz a uns poucos anos, enquanto que os propósitos de Deus em relação a nós são eternos. Paulo vai se mover ao longo de toda a eternidade para nos mostrar que a salvação que nos trouxe o evangelho, teve a sua origem no propósito de Deus, na eternidade passada, foi manifestada pela obra de Cristo em nossa história e terá sua consumação na imortalidade que faremos por toda a eternidade futura.

À luz destas grandes verdades, não há razão para se envergonhar do evangelho, mas que, pelo contrário, só temos motivos para gloriarnos dele. Vejamos como Paulo desenvolve seus pensamentos.

1. O propósito eterno de Deus

Começa dizendo que “que nos salvou, e chamou com uma santa vocação”. Em primeiro lugar, destaca-se que a salvação é uma obra de Deus. Mas embora isso, por si só, é algo muito grande e bonito, Deus não apenas nos salvou, nós também “nos chamou com santa vocação”, dando-nos a oportunidade de atendê-lo em sua obra, de modo a nos desviar para tal fim.

Tudo isto fez ele, “não segundo as nossas obras, mas segundo o seu próprio propósito e graça que nos foi dada em Cristo Jesus”. Quando Deus nos salvou, e chamou ao seu serviço, não o fez motivado por nossa santidade ou algum mérito pessoal que nos fez dignos de tais privilégios.

Se nossa salvação dependesse, em algum momento de nossos próprios méritos, não teríamos nenhuma esperança de alcançá-la, mas tem seu fundamento no propósito eterno e imutável de Deus. Ele atua “segundo o seu beneplácito” (Ef 1:9) e “segundo o seu próprio propósito”. E este propósito se manifesta, por sua graça, como um favor imerecido para nós pecadores culpados.

Deus concedeu esta graça “antes dos tempos dos séculos”. Muito antes de Adão e Eva em simultâneo o pecado no mundo, ou de que nós existiéramos, a sua graça nos foi dada em Cristo Jesus. Isto significa que Deus decidiu este maravilhoso plano de salvação na eternidade passada. Não foi algo improvisado depois da queda. Antes dos tempos, Deus decidiu oferecer a vida eterna a todos os que a quiserem aceitar, por meio de seu próprio Filho.

2. O cumprimento histórico do plano eterno de Deus

Como todos os propósitos de Deus, ele mesmo se encarrega de cumpri-los quando chegar o momento. Assim, quando chegou o tempo determinado no calendário divino, a graça foi revelada pela aparição de nosso Salvador Jesus cristo”. Isto pode referir-se a sua encarnação, quando o Deus eterno se fez Homem e apareceu neste mundo, depois de ter existido desde a eternidade. Isto inclui, também, sua vida e obra na cruz.

Mas, neste contexto, talvez seja mais apropriado relacionar esta “aparição de nosso Salvador Jesus cristo” com o momento de sua ressurreição, quando se apresentou vivo, diante de muitas testemunhas, depois de ter vencido a morte.

A salvação preparada na eternidade por Deus, foi manifestado por seu Filho. E é importante que nos demos conta de que esta salvação se baseia em fatos históricos. O cristianismo não depende das idéias de alguns homens, mas de intervenções divinas na história deste mundo. As ideias vêm e vão, mas os fatos são inabaláveis.

3. Os resultados do plano consumado de Deus

Paulo continua resumindo o que é que você conseguiu para nós: “aboliu a morte e trouxe à luz a vida e a imortalidade, mediante o evangelho”. Começa dizendo que “destruiu a morte”, mas seria mais apropriado traduzir “aboliu a morte”. O que quer dizer é que, ainda que os corpos dos crentes estão sujeitos às leis da decadência e da morte, no entanto, para o crente tem sido despojado de seu poder e terror, tornando-se de fato em uma porta para a presença de Deus. Nem mesmo a morte pode nos separar de Deus (Rm 8:38-39). E um dia futuro será finalmente destruído (1 Co 15:26).

Cristo conseguiu isso por meio de sua própria morte e ressurreição. Antes disso, a morte reinava como um tirano cruel sobre os homens. Era um inimigo temido para o que ninguém tinha solução. E o medo da morte, mantinha os homens em servidão, mas a ressurreição de Cristo trouxe a esperança para todos os que confiam nele, porque sabem que também eles ressuscitarão um dia para não morrer mais. Desta forma, foi despojado da morte de seu ferrão.

(1 Co 15:55-57) “Onde está, ó morte, o teu aguilhão? Onde está, ó seol, a tua vitória? o aguilhão da morte é o pecado, e a força do pecado é a lei. Mas graças sejam dadas a Deus, que nos dá a vitória por intermédio de nosso Senhor Jesus cristo.”

E em seguida acrescenta que Cristo não só destruiu a morte, mas que também “trouxe à luz a vida e a imortalidade, mediante o evangelho”. É claro que a imortalidade se refere ao corpo, de tal maneira “que isto que é corruptível se revista da incorruptibilidade, e isto que é mortal se revista da imortalidade” (1 Co 15:53).

Assim, mesmo que o nosso corpo é depositado no sepulcro e retorne ao pó, no entanto, na segunda vinda de Cristo, aquele mesmo corpo será ressuscitado do sepulcro e conformado a um corpo de glória, semelhante ao do Senhor Jesus.

Esta é a esperança que Cristo conseguiu para os crentes, por meio de sua própria ressurreição. Um corpo que não morre e nem se corrompe, com uma vida imutável à imagem de Deus (1 Jo 3:2). Não simplesmente uma existência sem fim, mas com um propósito eterno ao lado do nosso Salvador.

No período do Antigo Testamento, a maioria dos homens tinham uma idéia muito vaga e nebulosa sobre a vida após a morte. Se referiam a seus mortos como estando no Inferno, o que simplesmente significa o estado invisível dos espíritos que se foram. E ainda tinham uma esperança celestial, a maioria não a compreendia claramente.

Mas com a sua vinda, Cristo iluminou aquilo que já existia, mas que estava coberto pela incerteza. É como se, de repente, alguém tivesse ligado uma luz dentro de um quarto escuro. E o evangelho é o meio pelo qual chega esta luz. Tudo isso deve motivar a nossa fidelidade no serviço ao Senhor.

Paulo pensava nisso quando se dispunha a enfrentar a sua iminente martírio, e estava seguro de que a morte era apenas temporário, e não podia prejudicar a esperança que tinha em Cristo.

A segurança de Paulo contra os sofrimentos pelo evangelho

1. A relação de Paulo com o evangelho

Paulo acaba de proclamar o evangelho de Jesus cristo. Suas grandes verdades não podiam permanecer escondidas, e o mesmo Deus lhe havia escolhido para pregar aos gentios. Assim que, em seguida, volta a tratar da relação que o unia com o evangelho, defendendo não só o conteúdo, mas também seu próprio chamado: “Do qual fui constituído pregador, apóstolo e mestre dos gentios”.

Não nos esqueçamos de que Paulo estava na prisão e já tinha a sua própria execução, nessas circunstâncias, não seria de admirar que o diabo gostaria de fazê-lo duvidar da veracidade do evangelho e também de seu próprio chamado.

Podemos lembrar a João Batista, que depois de ter cumprido com fidelidade o ministério que havia sido chamado, também se encontrava preso, sem muitas esperanças de sair em liberdade. Nessas condições, certamente ele se fazia perguntas: “Se Jesus é realmente o Messias esperado, como é possível, então, que eu, que tenho sido seu arauto, terminar meus dias em uma sombria prisão?”.

Por esta razão, enviou alguns de seus discípulos para que perguntassem a Jesus se ele era o que havia de vir ou se deveriam esperar outro (Lc 7:18-19). Não devemos passar por alto a tremenda dureza de uma prova como esta.

Mas Paulo não deixava que a dúvida fizesse mossa no seu estado de ânimo. Assim, depois de defender o glorioso evangelho de Jesus cristo, passa a fazer o mesmo com o seu chamado, e diz: “do qual fui constituído pregador, apóstolo e mestre dos gentios”.

Cada um dos termos que utiliza tem a sua própria importância.

  • “Pregador”. Naqueles tempos, o termo é empregado para um mensageiro revestido com autoridade para transmitir publicamente mensagens oficiais enviados por reis, magistrados ou comandantes do exército. Desta forma, Paulo tinha sido enviado por Deus para anunciar publicamente o evangelho de Jesus cristo.
  • “Apóstolo”. No Novo Testamento o termo é usado para designar um representante oficial, que devia levar a cabo uma missão que lhe foi confiada, e que tinha sido investido de toda a autoridade necessária. Utilizado de um modo geral, para se referir a um mensageiro (2 Co 8:23) (Fil 2:25), mas também em um sentido restrito, que se aplica exclusivamente para os Doze e Paulo. E é neste último sentido que Paulo sabe que foi chamado (2 tm 1:1).
  • “Mestre dos gentios”. Agora refere-se ao método pelo o que dava a mensagem. Tratava-Se de explicar e ensinar de uma forma compreensível as grandes verdades que Deus havia revelado. E acrescenta “os gentios”, para salientar que o seu ministério foi realizado especialmente entre as nações não-judaicas.

Antes de continuar, é importante fazer uma reflexão sobre isso que acabamos de dizer. O evangelho é uma mensagem bem definido o que deve ser ensinado. Alguns pensam que não é assim, que o evangelho se contagia de uma forma que não conseguimos entender bem.

Em algum momento se apodera de nós, e começamos a nos sentir diferentes. Mas isso não é verdade, mas que é preciso entender, primeiro, a mensagem básica do evangelho e crer nele, para poder desfrutar de seus benefícios. E Deus escolheu o que o meio para divulgá-lo deve ser a pregação e o ensino.

2. Os sofrimentos de Paulo, por causa de seu ministério: “Por cuja causa padeço também isto”

O fato de que Paulo tornou popular o Evangelho entre os gentios foi algo que acendeu a ira dos judeus contra ele, mas também sofreu às mãos dos gentios de todas as culturas e classes sociais. Na realidade, o sofrimento e a aflição estavam intimamente ligadas ao seu chamado. Isso eu soube desde o momento em que o Senhor lhe apareceu pela primeira vez no caminho de Damasco.

Ali Deus disse a Ananias acerca dele: “Eu lhe mostrarei quanto lhe importa sofrer pelo meu nome” (At 9:16). E Paulo sempre esteve disposto a sofrer pelo evangelho. Podemos encontrar um amplo catálogo de seus próprios sofrimentos (2 Co 11:23-29). E ao longo de todos os escritos do Novo Testamento, vemos que o sofrimento acompanhado a todos aqueles que servem ao Senhor.

3. A segurança de Paulo contra os sofrimentos pelo evangelho: “Mas não me envergonho; porque eu sei em quem tenho crido”

Apesar de seus sofrimentos, de sua prisão, que parecia um homem derrotado e vencido, no entanto, não se envergonhava. Sabia que não tinha feito nada de errado. Que todo o que passava tinha que ver com a sua fidelidade ao evangelho e era o preço que tinha que pagar para a sua extensão (Colossenses 1:24-25).

E depois de tudo, eu sabia que o Deus em quem tinha crido não ia falhar. Que ao terminar os seus dias aqui, não teria a sensação de ter desperdiçado sua vida em uma causa inútil. Como diz em sua carta a Tito, tem “a esperança da vida eterna, a qual Deus, que não pode mentir, prometeu antes dos tempos dos séculos” (Tito 1:2).

Embora ele pudesse ver por momentos como uma cana, impelida e agitada pelo vento, no entanto, a sua confiança estava colocada em um Deus imutável, que nada nem ninguém pode impedi-lo de cumprir o que prometeu. Sua fé nele era real, de tal maneira que se sentia seguro no meio da tempestade.

Para explicar esta segurança que sente, usa uma ilustração: “Estou certo de que é poderoso para guardar o meu depósito até aquele dia”. Como se se tratasse de um depósito que é entregue no banco para ser salvo de ladrões ou até mesmo de sua própria perda, Paulo tinha confiado a sua própria vida e salvação nas mãos de alguém que é infinitamente poderoso e por isso encontrava-se totalmente seguro.

Assim, independentemente das circunstâncias pelas quais possa passar nesta vida presente, sabia que no final, ao chegar o dia da manifestação gloriosa de Cristo, encontraria o seu “depósito” intacto. Porque ele havia seguido o conselho do Senhor, que disse:

(Mt 6:19-20) “Não ajunteis tesouros na terra, onde a traça e a ferrugem tudo consomem, e onde os ladrões minam e roubam; mas ajuntai tesouros no céu, onde nem a traça nem a ferrugem consomem, e onde os ladrões não minam nem roubam.”

Lc 12:16-21) “Também lhes então uma parábola, dizendo: A herdade de um homem rico tinha produzido muito. E ele achava dentro de si, dizendo: Que farei, pois não tenho onde guardar os meus frutos? E disse: farei Isto: derribarei os meus celeiros, e edificarei outros maiores, e ali recolherei todos os meus cereais e os meus bens; e direi à minha alma: Alma, tens muitos bens armazenados para muitos anos; repósate, come, bebe, alegra-te. Mas Deus lhe disse: Insensato, esta noite vêm para te pedir a tua alma; e o que tens fornecida, para quem será? Assim é aquele que para si ajunta tesouros, e não é rico para com Deus.”

Com esta profunda convicção, Paulo estava encorajando a seu amado filho Timóteo. O que eu vim dizer é que, ao fim e ao cabo, aquilo que possuímos e tem mais valor em nossas vidas, está fora do alcance do inimigo de nossas almas, porque está protegido pelo Deus todo-poderoso.

E que da mesma forma que planejou nossa salvação desde antes da fundação do mundo e levou a cabo por meio da morte e ressurreição de seu Filho, do mesmo modo ele é poderoso para guardar até o fim da vida daqueles que confiam nele. Tudo isso proporciona um ótimo conforto para aqueles servos leais que estão sendo testados.

Quando sabemos e cremos nisso, podemos suportar qualquer circunstância, por desagradável e adversa que possa ser, porque o Senhor guarda o nosso depósito.

Reflexões

1. O propósito de Deus para este mundo

Cada vez há mais pessoas que pensam que nosso universo foi o resultado do acaso, do acidente, da interação de forças cegas, e por essa mesma razão, também não acreditam que este mundo dirija-se a uma meta, não tem nenhum propósito.

De acordo com eles, o mesmo homem é também o resultado de um processo evolutivo que não se sabe bem para onde conduz, de fato, examinando a nossa história, parece que a humanidade viaja em círculos, alternando constantemente épocas de esplendor com outras de obscurantismo, sem que pareça que vamos sair nunca mais de lá.

Diante disso, o pessimismo está tomando conta da humanidade. Vendo como o mundo sangra no meio de inúmeros conflitos de todo tipo, já quase ninguém confia nos políticos e suas palavras.

Além disso, as suas políticas económicas, não só são incapazes de erradicar a pobreza, mas que parecem que estão a serviço de alguns poucos, que são cada vez mais imensamente ricos, de tal forma que entre eles acumulam a mesma quantidade de riqueza que milhões e milhões de pessoas juntas.

um cenário assim, a vida do homem parece ter um valor muito diferente, dependendo do local onde vive e as posses que tenha.

Quando Paulo escreveu esta carta a Timóteo, ele mesmo era vítima do sistema político, dirigido por louco e cruel Nero. Preso em condições infrahumanas, esperava o veredicto de um julgamento completamente injusto e sua posterior execução.

Humanamente falando, se alguém tivesse perguntado ao apóstolo para onde acreditava-se que se dirigia a humanidade, poderíamos esperar uma resposta carregada de negativismo e desespero. No entanto, ao ler o que ele escreveu esses dias, não vemos nada disso, mas que, pelo contrário, tinha uma visão muito otimista sobre seu futuro. O que era o que lhe fazia pensar desse modo?

Para começar, ele sabia que este mundo foi criado por Deus, e que ele mesmo segue sustentando-o e geri-la para um fim, de acordo com seus propósitos. E, de igual forma, já teve planos gloriosos para o homem, mesmo antes de este mundo fora criado.

Paulo explica-nos esta passagem da seguinte maneira: “que Nos salvou, e chamou com uma santa vocação, não segundo as nossas obras, mas segundo o seu próprio propósito e graça que nos foi dada em Cristo Jesus antes dos tempos dos séculos, mas que agora se manifestou pelo aparecimento de nosso Salvador cristo Jesus, o qual destruiu a morte, e trouxe à luz a imortalidade pelo evangelho” (2 tm 1:9-10).

Deus teve um propósito para este mundo, desde antes de sua fundação, e também tem um plano eterno para o homem; o teve, desde o momento em que o criou a sua imagem e semelhança, diferenciando-o assim do resto das criaturas.

O homem não é apenas um ser biológico, também não é o produto de uma evolução cega, e a morte não é o final. Por isso, quando a pessoa reflete, coisa que cada vez há menos freqüentemente, se dá conta de que precisa de respostas que você esteja satisfeito de verdade. Dizer que estamos aqui por um capricho do acaso, e reduzir as nossas vidas para a satisfação de certos instintos básicos, não é o tipo de vida que nos convence da verdade.

Deus nos criou com alma e espírito, e não só um corpo físico, por isso, a nossa verdadeira felicidade e desenvolvimento pessoal só virá quando tivermos isto em conta. Podemos acumular riquezas e continuaremos insatisfeitos.

O Senhor Jesus cristo disse: “Que aproveita ao homem se ganhar o mundo inteiro e perder a sua alma?” (Mr 8:36). O homem foi criado à imagem de Deus, e tem profundas necessidades espirituais, que deve satisfazer para ser feliz. Mas o homem não quer dar a Deus o lugar que lhe corresponde na sua vida e ignora suas necessidades espirituais, o que deixa um vazio impossível de preencher, de qualquer outra forma.

Se emociona pensar que se consegue melhorar o seu nível econômico, isso lhe fará feliz, mas já deveríamos ter nos dado conta de que não há nenhuma relação direta entre ter muitas posses e ser felizes.

Outras vezes, achacamos nossa frustração com as circunstâncias pelas quais passamos, e embora seja verdade que existem situações muito dolorosas, isso também não é a causa de nossa infelicidade.

Mesmo que não o queiramos admitir, nosso problema é de origem espiritual, e tem que ver com a falta de uma correta relação com Deus. Nossa alma deve retornar ao Deus que a fez. Fomos criados para ele, nos correspondemos com ele, e não encontraremos descanso, mas nele.

Ora, o que são esses planos eternos de Deus para o homem? Em primeiro lugar, a restauração do relacionamento entre Deus e o homem, que tinha sido quebrada pelo pecado.

E em segundo lugar, remover as terríveis conseqüências que essa queda foi ocasionado, principalmente, a morte e tudo o que ela implica. Ao fim e ao cabo, o que Deus quer para o homem é que desfrute junto a ele, de uma vida autêntica em um estado de imortalidade.

Paulo afirma que Deus começou a criar esse plano “antes dos tempos eternos” (2 tm 1:9), e o seu sucesso baseia-se na obra que o seu Cristo havia de fazer. A partir do momento em que o homem pecou, Deus começou a anunciar ao homem a “promessa da vida que está em Cristo Jesus” (2 tm 1:1). E o seu cumprimento vinho por meio de “aparecimento de nosso Salvador cristo Jesus, o qual destruiu a morte, e trouxe à luz a vida e a imortalidade” (2 tm 1:10).

Cristo conseguiu ser o Salvador do homem ao pagar ele mesmo o que a lei pede por nossos pecados, que não era outra coisa que sua própria vida, mas depois de morrer, ressuscitou e saiu vitorioso do sepulcro, abolindo os terríveis efeitos do pecado e da morte para todos aqueles que o reconhecem como seu Salvador e Senhor, por meio do arrependimento e da fé.

A ressurreição de Jesus cristo é uma prova absoluta de que a morte não é o fim, e que esta não é a única vida, nem este é o único mundo. Há uma outra esfera de vida, há um outro mundo, que é incrível e que nunca perde seu brilho, que é puro, imortal, glorioso e absoluto.

Paulo estava seguro disso, e por essa razão, mas sabia que logo viria um soldado romano, a tirar-lhe a vida, no entanto, sabia que esse não seria o seu fim, mas a porta de entrada para o mundo glorioso de Cristo, o qual é muito melhor (Fil 1:23).

Podem encurtar sua existência neste mundo, mas não podiam tirar nem um único segundo de glória que lhe esperava. Perante esta linda esperança, pouco lhe importava o que os homens possam fazer, ou das circunstâncias dolorosas que tivesse que passar. Tudo acabaria em breve e seria transferido para uma nova realidade infinitamente melhor e eterna.

2. O evangelho demonstra a sua utilidade em todas as circunstâncias da vida

Paulo havia entregue a sua vida ao serviço do evangelho, e por essa causa se encontrava preso esperando a morte. Era um momento crítico em que tinha a possibilidade de verificar se o evangelho que havia crido funcionava realmente. Ao fim e ao cabo, há muitas filosofias, opiniões e teorias nesta vida, mas, em última instância, a chave é se funcionam e nos servem de ajuda em todas as circunstâncias da vida, especialmente nos momentos mais difíceis.

No caso de Paulo, é evidente que o evangelho lhe tinha levado a sofrer muito nesta vida, mas ainda assim, ao final de sua carreira, encontrava-se seguro e usava um tom triunfante: “Não me envergonho; porque eu sei em quem tenho crido, e estou certo de que é poderoso para guardar o meu depósito até aquele dia”.

O que era o que lhe capacitaba para enfrentar o sofrimento e a própria morte dessa maneira? Todo ser humano lhe interessa a resposta. Todos nós queremos sair vitoriosos os problemas e tribulações da vida. Qual foi a resposta de Paulo? Vamos pensar sobre isso comparando o que ele acreditava, com algumas das filosofias de sua época.

No seu tempo, havia entre os gregos duas correntes filosóficas muito populares. Tratava-Se de os epicureus e os estóicos, que Paulo pregou quando chegou a Atenas (At 17:18). Eram pessoas muito intelectuais, embora muito diferentes entre si.

Por exemplo, o epicurista era alguém que não queria pensar muito, de fato acreditava que quando menos pense um, melhor. Para ele o importante era se divertir, entregar-se ao prazer.

Seu lema poderia ser resumido com aquela expressão bíblica: “comamos e bebamos porque amanhã morreremos” (Is 22:13). E atualmente existe uma infinidade de pessoas, especialmente jovens, que são entregues a esta mesma filosofia.

Pelo contrário, o estóico era um homem que acreditava que a vida é uma empresa difícil e dura, que requer uma forte disciplina sobre si mesmo. Mais cedo ou mais Tarde os problemas virão e nos baterão, por isso é necessário estar à espera e se manter firme frente a eles, e aguentar.

É a filosofia de resignação, de suportar, de recusar-se a ceder, sem alegrar-se ou entristecer-se por causa das coisas que escapam ao nosso controle. Nunca sejas muito feliz, porque você nunca sabe que, infelizmente, se vai acontecer, não se deixe levar, não se abandone por completo a alegria, dizia o estóico.

Agora, podemos pensar em como você ajudaria sua filosofia um epicurista para enfrentar uma situação como a que Paulo passava, que seria o mesmo que pensar em como reagem as pessoas do nosso tempo que se entregaram de corpo e alma a buscar o prazer.

E vemos que quando chega a dor, o desemprego, a doença ou a própria morte, sentem-se terrivelmente frustrado, porque não tem nenhuma razão para apoiá-las.. Não se encaixa em seu estilo de vida, não tem resposta para isso.

Pelo contrário, um estóico reagiria de modo muito diferente. Sua finalidade seria resignar e suportar sem ceder. Mas, em qualquer caso, nunca poderia fazer com alegria, e com um espírito triunfante como o que vemos em Paulo. Lembremos, por exemplo, quando Paulo foi preso injustamente em Filipos depois de ter sido brutalmente espancado.

Estando lá na cela, com os pés amarrados por correntes junto a seu companheiro Silas, ambos estavam cantando hinos e orando (At 16:25). Nessa situação, um estóico teria suportado sem chorar ou lamentar-se, mas de nenhuma maneira poderia regozijar-se em meio às tribulações (Rm 5:3), e muito menos cantar.

E quando a morte se aproximava, um estóico via nela o final da viagem, e então a sua filosofia só poderia lhe ajudar a compreender que tudo o que vive, nasce para morrer e, assim, voltou o rosto para a parede e verá como tudo se acaba.

E aqui está a grande diferença: em frente às filosofias que encontramos neste mundo, o evangelho é a única forma de vida que pode nos ajudar a enfrentar qualquer eventualidade concebível e sair triunfantes. Independentemente das circunstâncias que cruzarmos, o evangelho traz paz ao coração do crente.

Inclusive a própria morte pode ser olhada de frente e ser vencida. O evangelho não promete ausência de problemas, não dá as costas para as dificuldades da vida, não os passa por alto, nem os ignora.

Os olha de frente e nos ajuda a superá-los e triunfar sobre eles. Esta foi a promessa de nosso Senhor Jesus cristo, até o fim de seu ministério: “No mundo tereis aflições; mas tende bom ânimo, eu venci o mundo” (Jo 16.33). E o apóstolo Paulo é um bom exemplo de que isso é verdade.

3. Vivendo com o olho no “naquele dia”

Ser um cristão fiel nos dias do apóstolo Paulo não era nada fácil. Todos os cidadãos do Império Romano, deviam dizer: “César é o Senhor”, e, se não o fizessem, seriam mortos ou lançados aos leões no circo. Mas um cristão não podia dizer, porque ele confessou que “Jesus é o Senhor” (Rm 10:9) e que não há nenhum outro Senhor fora dele. O que fizeram os cristãos primitivos? Pois estavam dispostos a morrer por milhares antes de negar a sua fé no Senhor Jesus. Agora, onde é que tiraram o valor e a força para fazê-lo?

A resposta nos dá o apóstolo Paulo, que também passou por uma situação semelhante: “Por cuja causa padeço também isto, mas não me envergonho; porque eu sei em quem tenho crido, e estou certo de que é poderoso para guardar o meu depósito até aquele dia”.

O que lhes mantinha firmes diante das adversidades e lhes proporcionava o valor necessário até mesmo para morrer, era a sua visão de “naquele dia”. Claro, isso não era algo novo, já que os santos do Antigo Testamento haviam sido votados do mesmo modo.

Consideremos, por exemplo, no Moisés: “Pela fé Moisés, sendo já grande, recusou ser chamado filho da filha de Faraó, escolhendo antes ser maltratado com o povo de Deus a usufruir prazeres transitórios do pecado; tendo por maiores riquezas o vitupério de Cristo do que os tesouros do egito; porque tinha de pôr a olhar para o prêmio.

Pela fé deixou o Egito, não temendo a ira do rei; porque ficou firme, como vendo o Invisível” (Hb 11:24-27). E da mesma forma, todos os gigantes da fé do Antigo Testamento, que viveu com o olho no “naquele dia”, e enquanto estavam neste mundo eram estrangeiros e peregrinos: “morreram na fé, todos estes, sem terem recebido o prometido, mas vendo-as de longe, e crendo nele, e abraçando-as, confessaram que eram estrangeiros e peregrinos sobre a terra” (Hb 11:13).

Talvez este seja um dos maiores problemas do cristianismo atual. A maioria dos cristãos só parece se interessar receber bênçãos materiais para o momento presente. Estão possuídos por uma visão mundana do cristianismo, e já não se comportam como estrangeiros e peregrinos neste mundo com o seu olhar pôr em “aquele dia”.

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